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Currículo de Orientação Cognitiva (COC) - Modelo High/Scope
31 de Maio de 2008

Clique aqui para ver a apresentação do modelo pela Dra. Elisa Leandro

Na manhã de 31 de Maio, a professora Elisa Leandro deu-nos a conhecer a origem e a evolução do modelo curricular High/Scope.
O referido Currículo, iniciado na década de sessenta por David Weikart, tem por base a teoria de desenvolvimento de Piaget e tem como pressuposto que a criança aprende fazendo. O conhecimento não emerge dos objectos ou das crianças, mas das interacções que se estabelecem entre a criança e esses objectos (Piaget, 1969).
Quando David Weikart inicia o Perry Preschool Project, com o objectivo de combater o insucesso escolar, dá início ao modelo curricular que institui que a teoria para ser coerente deverá articular constantemente com a prática, desenvolvendo assim um processo de avaliação e de investigação sistemático. São assim criados e valorizados procedimentos como as experiências-chaves, que funcionam como indicadores de avaliação, a reflexão dos educadores, os instrumentos PIP (Perfil Implementação do Programa) e COR (Registo de Observação da Criança).
A fundamentação deste currículo, essencialmente Piagetiano, defende que a criança constrói o seu desenvolvimento cognitivo nas suas acções sobre as coisas, as situações e os acontecimentos. Só assim as experiências tornam-se aprendizagens significativas. Modelo de orientação cognitivista e construtivista, em que a aprendizagem activa é definida como a aprendizagem em que a criança através da sua acção sobre os objectos e da sua interacção com as pessoas compreende o mundo.
Preconiza-se assim que o (…) conhecimento tem que ser apropriado por um esforço voluntário e esforçado do aluno, que o saber é algo não dado mas construído, que a imaginação, a criatividade, a divergência, a autonomia, e o desafio são ingredientes essenciais do desenvolvimento pessoal (Elisa Leandro). Defende-se que (…) as situações serão apoiadas pelos adultos para que as crianças poderem estender as suas competências e saberes presentes a níveis mais altos de competência e saber (Wood, Brumer e Ross, 1976).
Também as teorias de John Dewey e Erick Erikson fundamentam este modelo. John Dewey reforça o “Aprender Fazendo” com a sua Filosofia de Educação Progressiva, e promove a “Pedagogia da Descoberta” em que preconiza que não se deve dar soluções às crianças, mas sim levá-las através da pesquisa, da investigação a construir a sua aprendizagem. A Teoria Psicossocial do Desenvolvimento de Erick Erikson também está patente neste modelo curricular, valorizando as experiências sociais como interacções significativas.
As bases da Aprendizagem pela Acção sustentam que se deve viver experiências directas e imediatas e retirar delas significado através da reflexão sobre:

  • A acção directa sobre os objectos
  • A reflexão sobre as acções
  • A motivação intrínseca
  • A invenção
  • A produção
  • A resolução de problemas

Os ingredientes da Aprendizagem Activa são:

  • A escolha e tomada de decisão
  • A linguagem e pensamento
  • O educador “Scaffolding” (que sabe colocar andaimes)

A organização dos espaços e materiais contempla diversos aspectos:

  • Selecção de materiais suficientes e adequados ao desenvolvimento, interesses e cultura de todas as crianças
  • Os materiais reflectem a diversidade da vida familiar
  • Os materiais estão organizados e rotulados, para permitir escolher - usar – arrumar
  • O espaço é dividido em áreas, como a da casa, dos livros, dos jogos, da matemática e da ciência, da leitura e da escrita, dos blocos e construção, da plástica, da areia e da água, da natureza, da carpintaria, do exterior, do computador
  • As áreas deverão ser aumentadas ou modificadas para favorecer novas experiências

O clima positivo das interacções promove:

  • Confiança nos outros
  • Autonomia
  • Iniciativa
  • Empatia
  • Auto-confiança
  • Centração nos talentos
  • Relações autênticas
  • Apoio na resolução de problemas

A rotina diária com base no processo de Planear-Fazer–Rever é consistente, com um planeamento cuidado, em que os tempos, espaços e actividades são diversificados quer na sala como no exterior para atender ao desenvolvimento e necessidades das crianças. Os tempos variam entre o tempo de acolhimento, de planeamento, de trabalho, de avaliação, de refeição, de recreio, de grande grupo, de pequenos grupos, O planeamento expressa as intenções das crianças, que depois de as colocarem em prática, reflectem sobre todo esse processo com os seus colegas e educadores.
Ao educador compete auto-avaliar-se e avaliar os progressos das crianças. No modelo curricular High/Scope para além do COR é também utilizado o PQA (Program Quality Assessment) que (…) avalia a qualidade de todo o programa educativo em sete áreas: ambiente de aprendizagem, rotina diária, interacção educador/criança, planeamento e avaliação do currículo, envolvimento e serviços prestados à família, qualificações e desenvolvimento do pessoal, gestão e monitorização do programa (Elisa Leandro).
Aspecto relevante é a componente parental. Os pais têm presença activa no trabalho desenvolvido. O seu envolvimento no quotidiano permite uma sintonia de acções que favorece as crianças.

Após o intervalo a educadora Teresa Caieiro, expôs de modo prático, como operacionalizar este modelo.
Com o exemplo do provérbio chinês Diz-me e eu esquecer-me-ei, ensina-me e eu lembrar-me-ei, envolve-me e eu aprenderei, reforçou a teoria da aprendizagem activa associada à afectividade, à motivação intrínseca.
Abordou o quanto é valorizado no modelo as iniciativas das crianças, o papel do adulto como apoiante do desenvolvimento e em simultâneo observador participante, as estratégias de interacção, o ambiente de aprendizagens que se cria, os momentos de avaliação.
Foram ainda retratadas situações práticas do dia-a-dia que reforçam a teoria do modelo.
Em síntese, foi ainda abordado pela referida educadora como o modelo curricular High/Scope se encaixa nas Orientações Curriculares emanadas pelo Ministério da Educação.

Reforçando a “Aprendizagem pela Acção” e em jeito de conclusão: Ensinar a escrever antes de permitir que a criança experimente desenhar e pintar, é tão absurdo como pretender ensinar uma criança a ler antes que ela saiba falar (Santos, 1983).

Manuela Moreira

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